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Gestão de Pessoas

Como apoiar profissionais com filhos

13/11/18 17:50

A vida de pais e mães que trabalham é um verdadeiro malabarismo. Para reter esses talentos e manter a produtividade da equipe, aposte em benefícios e programas de bem-estar.

Como apoiar profissionais que são pais e mães

Muita gente ainda acredita que, ao se tornarem pais ou mães, os profissionais ficam menos engajados com o trabalho e que não há muito a fazer sobre isso. No entanto, pesquisadores em todo o mundo mostram uma realidade diferente. “Estudos mostram que um local de trabalho flexível e amigável à família pode motivar a equipe, reduzir a rotatividade dos funcionários, ajudar a atrair novos colaboradores, reduzir o estresse e, em geral, aumentar a satisfação e a produtividade do trabalhador”, diz Anu Partanen, autora do livroThe Nordic Theory of Everything.

A consultoria Great Place to Work entrevistou mais de 400 mil profissionais e descobriu que, ao se tornarem pais e mães, as pessoas se tornam mais dedicados ao seu trabalho e planejam uma estadia de longo prazo na organização. 

Benefícios de uma vida equilibrada 

Empregadores que proporcionam um equilíbrio real entre o trabalho e a vida pessoal a seus funcionários colhem muitos benefícios: retenção, reconhecimento, bom clima e produtividade. Pesquisa realizado pela Sodexo em sete países revelou que 89% dos líderes de PMEs perceberam um aumento na produtividade e eficiência após a implementação de medidas para facilitar a gestão da vida pessoal dos colaboradores (veja os resultados do Brasil).

Na Austrália, empresas como a Westpac e a Deloitte têm usado com sucesso o Parents At Work, um serviço que oferece apoio, orientação e cursos para ajudar as pessoas a equilibrarem suas responsabilidades com a família, bem-estar pessoal e carreira. Ao fornecer tais serviços, ambas as empresas foram reconhecidas como inovadoras e empregadoras que acolhem as famílias.

Mais atração e retenção de talentos

Quando se fala de atrair e reter talentos, o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é um aspecto importante na escolha de um emprego, seja antes ou depois dos filhos chegarem. Sem isso, a empresa corre o risco de perder talentos difíceis de substituir, sobretudo mulheres. Kieran Snyder, CEO da plataforma Textio, entrevistou mais de 700 mulheres que abandonaram o setor de tecnologia. Quase 70% delas saíram depois de ter filhos e somente 3% delas disseram que gostariam de voltar a trabalhar nesse segmento.

Encontrar pessoas talentosas no mercado de trabalho é um desafio para qualquer empresa, particularmente na área de tecnologia. A contratação de profissionais especializados exige tempo, esforço e dinheiro. 

Para evitar a perda de talentos, os empregadores precisam implementar políticas que acolham pais e mães. Sugerimos três fundamentais: 

1) Cultura de apoio

Ofertar benefícios para pais e mães que trabalham é a primeira etapa, mas é possível que eles não entrem no programa em razão da pressão social. De acordo com a Kelton Global, 41% dos profissionais com filhos que trabalham nos EUA  acreditam que não poderiam ter sucesso sem um chefe que os apoiassem. Um ambiente corporativo inclusivo começa com um líder que estabelece uma cultura de maior cuidado com as pessoas e fomenta a conscientização de toda a equipe.

Os pais que trabalham podem liderar o movimento. Depois que voltou da licença maternidade, Liz Marlow, da Sodexo no Reino Unido, começou um Grupo de Pais que Trabalham que ajuda na orientação para reembolso de auxílio creche e, também, na solicitação de horários flexíveis. O grupo também dá treinamento aos profissionais sobre como equilibrar as funções do trabalho e as da casa.

2) Auxílio no cuidado com as crianças

Arcar parte dos custos com os cuidados da criança ou ofertar uma creche no local de trabalho podem ser argumentos decisivos na caça por talentos. Na França, a Sodexo tem uma parceria com a Crèche Attitude, que têm espaços para receber crianças ou os instala em locais de trabalho.

Uma vez que a mãe sabe que seu bebê está em boas mãos, a outra prioridade para uma trabalhar mais tranquila e ganhar produtividade é poder amamentar seu bebê. No Chile, as mães lactantes têm uma hora paga a cada dia para ajudá-la a organizar seu cronograma. Algumas escolhem chegar ao trabalho uma hora mais tarde (ou sair uma hora mais cedo), enquanto outras tiram folgas de 30 minutos durante o dia para retirar leite ou para ir em casa amamentar seu bebê pessoalmente. 

Na Espanha, a Sodexo tem um produto chamado Guadería Pass: “O pai ou a mãe recebe mensalmente um voucher por e-mail e o envia para a creche que escolheu”, explica Mirian Martín, Líder de Marketing Digital da Sodexo Espanha. “A creche insere o código do e-voucher no site da Sodexo para receber o pagamento pelo serviço. O empregador se beneficia de ter um serviço online de auxílio creche, o funcionário poupa dinheiro e a creche atrai novos clientes e melhora a imagem da sua marca.” 

3) Licença maternidade: o benefício mais popular

A Suécia oferece o maior período de licença (480 dias corridos). Já no Brasil o período de licença pode variar entre 4 e 6 meses, de acordo com a política de benefícios da empresa.

Mais de um terço das organizações no mundo oferecem um período maior de licença do que o previsto por lei em seu país. Isso ocorre também nas economias em desenvolvimento, em desenvolvimento, onde a ascensão das mulheres no local de trabalho é um fator significativo. 

Ter um bebê representa uma grande mudança na vida e as empresas já sabem que mães que têm tempo suficiente para se recuperarem totalmente e construir um vínculo familiar satisfatório se comprometem mais com o seu trabalho. A Adobe Systems, por exemplo, está em quarto lugar na lista das melhores empresas para mães que trabalham. A empresa oferece 26 semanas de licença maternidade e tem 90% de taxa de retenção das mães que se beneficiam disso.

O aumento da adesão à licença paternidade está representando um marco ao redor do mundo. Na Índia, por exemplo, 84% das empresas oferecem o benefício.

Os empregadores precisam entender que a ideia de que os profissionais ficam menos motivados depois de ter filhos é fake news e que proporcionar um ambiente de trabalho amigável para a família tem benefícios muito positivos. Os pais se sentem valorizados por empresas que os ajudam a conciliar seu trabalho com sua vida pessoal e respondem mantendo ou aumentando seus níveis anteriores de produtividade.

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