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Gestão de Pessoas

Como será o trabalho no futuro com a robótica?

02/07/17 13:41

Thomas Jelley, do Institute for Quality of Life da Sodexo, dá sua opinião sobre a parceria entre humanos e robôs nas empreas

Por Kirsty Tobin

Às vezes, a tentativa de antecipar o futuro do trabalho pode nos tornar um pouco como Nostradamus, prevendo um futuro sombrio. Thomas Jelley, do Institute for Quality of Life da Sodexo, vê o tema com otimismo e tem pesquisas para defender sua posição.

Quando pensamos em pesquisas, normalmente pensamos em jalecos de laboratório, óculos de proteção e tubos de ensaio. O que provavelmente não consideramos é o método de estudo que nos mostrará como vamos experimentar a qualidade de vida no trabalho no futuro.

A pesquisa é o que sustenta o Institute for Quality of Life da Sodexo, um think tank para debate de ideias que utiliza a expertise de acadêmicos, especialistas e instituições envolvidas com os mesmos conceitos para compreender como a qualidade de vida contribui para o progresso dos indivíduos e o desempenho das organizações.

Embora você possa pensar que pesquisas como essa não importam, poderia fazer toda a diferença para você saber como fará o seu trabalho e como será seu escritório num futuro próximo. Cobrindo tudo, desde inteligência artificial até mudanças climáticas - passando por hospitais, tratamento para idosos, educação, o setor militar e corporativo, entre outros – as pesquisas são a base de um caminho que a Sodexo e outras organizações podem seguir.

“A Sodexo atende a milhões de pessoas por dia que estão em seus locais de trabalho. Precisamos compreender os espaços que nossos clientes e consumidores ocupam, se queremos continuar atendendo-os e contribuindo para melhorar a qualidade de vida deles”, disse Thomas Jelly, vice-presidente do Institute for Quality of Life.

Jelley é palestrante da edição 2017 do Inspirefest, onde compartilha o que pensa sobre o futuro do trabalho. Esse conhecimento é bem fundamentado em uma série de pesquisas feitas pelo instituto, incluindo a mais recente mesa-redonda em Cingapura: “Robótica inteligente e o local de trabalho”.

O futuro robótico

Nos últimos anos, robôs têm assumido postos de trabalho que antes eram de seres humanos.  Na mesa-redonda em Cingapura, a Sodexo buscou se aprofundar nessa hipótese e criou algumas soluções que podem ajudar a preparar a força de trabalho para trabalhar lado a lado com robótica inteligente.

 

Em um momento em que o discurso dominante concentra-se em comentários negativos sobre a possibilidade de reunir robôs e humanos em um mesmo ambiente de trabalho, a mesa-redonda sugeriu outra saída: a colaboração, ao invés do conflito, pode fazer dos robôs algo benéfico ao invés de um problema.

“Há diversos cenários que mostram que a robótica pode nos ajudar a manter e até melhorar a qualidade de vida das pessoas no local de trabalho. Há previsões relacionadas ao desemprego em massa, mas também há perspectivas em que os pesquisadores pensam “Um profissional precisa executar que tarefas em um determinado cargo? Para quais tarefas é viável receber ajuda? Quais entregas podem ser melhoras com ajuda de robôs? Poderia ser mais interessante? Menos perigoso? Essa é uma abordagem mais saudável - uma abordagem mais interessante e produtiva - do que ficar parado dizendo que, sim, essa posição de trabalho vai sumir”, diz Jelley.

Ele mencionou exemplos do uso de robótica avançada para avaliar o trabalho pesado em tarefas diárias que são feitas humanos: a verificação de esgotos ou a avaliação da integridade estrutural de um edifício pode ser feita por um robô. Outro texemplo é o uso de um exoesqueleto robótico em um abrigo de idosos para auxiliar no transporte de pessoas com mobilidade reduzida. Até mesmo policiais do turno da madrugada podem ficar seguros ao enviar robôs para fazer a patrulha.

Ou seja, o trabalho é em conjunto e não um contra o outro.

Jelley alertou: “Se ficarmos presos em um discurso de que somos nós ou eles (robôs), continuará sendo um jogo em que ninguém ganha. Em Cingapura aprendemos que deveríamos nos concentrar muito em mais em aprimorar as ideias, melhorar o processo de trabalho e analisar o assunto com base em tarefas e atividades, ao invés de continuar em um jogo de oposição entre os dois lados, em que todos perdem”.

Do tribunal para a corporação

Para seu trabalho no instituto, Jelley tem como inspiração uma curiosidade insaciável. Com experiência em direito (estudou na King’s College London e na Sorbonne), Jelley fez uma longa jornada até seu cargo atual.

Depois de trabalhar em diversos casos envolvendo questões sobre responsabilidade corporativa, Jelley descobriu a área em que queria trabalhar. Ele fez um mestrado em desenvolvimento sustentável pela University of Surrey. A partir daí, foram cinco anos no departamento de responsabilidade corporativa da Sodexo antes de se mudar para o instituto.

Quando perguntaram a ele como uma coisa complementa a outra, Jelley respondeu: “(São) muito distantes em termos de experiência de trabalho mas, para uma mente curiosa, há algumas ligações.”

Para Jelley, uma arena levou naturalmente à outra. Sua motivação original para estudar Direito foi a curiosidade sobre como as coisas funcionam e ele viu que o assunto era uma grande base para compreender os relacionamentos - entre pessoas, organizações e até nações. O desenvolvimento sustentável, diz, ensinou a ele sobre o relacionamento entre a raça humana e o resto do mundo natural. Agora, na Sodexo, a sustentabilidade é essencial para muito do que ele, e sua equipe, fazem.

“Trabalhae em nosso think tank, observando desafios e questões da qualidade de vida, não é algo tão diferente assim.  Mas, ao invés de ter uma agenda de sustentabilidade como centro, temos a agenda da qualidade de vida como centro. E os dois estão muito relacionados, porque sem sustentabilidade, não há muitas possibilidades para a qualidade de vida”, explica Jelley.

A transformação da humanidade e do trabalho

Quais são os próximos passos para a equipe do Institute for Quality of Life? Qual é o futuro da qualidade de vida sustentável?

De acordo com Jelley, o próximo alvo que a Sodexo tem em vista é diversificado e muito distante de robótica.

Em uma mesa-redonda que deve ser realizada no final deste ano, um encontro de especialistas irá discutir obesidade, envelhecimento demográfico na América do Sul e mudança climática. Embora essas áreas pareçam distantes, elas são o que Jelley chama de “tópicos espinhentos” e sobrepõe-se de uma forma-chave: a ausência de capital político.

“Essas são três agendas enormes que sofrem com desafios semelhantes: são questões de longo prazo, que exigem ações a curto prazo. E nenhuma delas vira voto na eleição. Por isso é difícil de fazer essas políticas seguirem na direção certa e, então, quando fazem um pequeno avanço, acabam caindo, vítimas de mudanças no governo”, diz Jelley.

Embora essas áreas não tenham um efeito aparente no futuro do trabalho, todas fazem parte do conceito geral de qualidade de vida que, de forma geral, está relacionado à questão de como progredimos como indivíduos e organizações. Também estão incluídas aqui todas as pesquisas que são feitas no instituto.

Como já ouvimos antes, a vida pessoal de um profissional pode interferir significativamente  em sua vida no trabalho e, se cada colaborador levar seu verdadeiro eu para o trabalho, o escritório pode ser afetado negativamente.

“Mudanças no local de trabalho provavelmente mudarão a forma com que pensamos no próprio trabalho”, diz Jelley.

Se a pesquisa contínua do instituto é algo que devemos acompanhar, parece que precisaremos nos preparar para muitas mudanças.

Fonte: https://www.siliconrepublic.com/people/research-future-of-work-sodexo-thomas-jelley-inspirefest