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Gestão de Pessoas

O poder do elogio

15/01/18 10:11

Nas empresas que evoluem mais rápido, proporção é de dez reforços positivos para cada bronca

Por Alexandre Teixeira

Em junho de 2017, depois de 20 anos na Harvard Business School, a professora Frances Frei foi contratada pelo Uber como vice-presidente de liderança e estratégia. Um dos insights que levou para a empresa que revolucionou o mercado de táxis veio de sua ex-aluna Mia Mends, hoje CEO da Inspirus, uma empresa do Grupo Sodexo. Ela trabalha com o conceito de Reforço de Desempenho Positivo.

Reconhecimento, portanto. Segundo Mia, quando você vê alguém fazendo algo excelente, deve elogiar no ato, para que todos vejam e crie-se um círculo virtuoso. Afinal, as palavras de elogio têm um enorme poder!

Frances aprendeu que, nas organizações que evoluem mais rapidamente, a proporção de feedbacks é de dez “reforços positivos” (elogios) para cada “conselho construtivo” (bronca).

Se você é bom de feedback, é provável que tenha empregados altamente engajados, e uma das tendências da gestão de pessoas contemporânea é o “engajamento de funcionários como estratégia financeira”. Um insight fundamental do painel sobre motivação de profissionais na Quality of Life Conference, promovida em Londres pela Sodexo, é o de que, para aumentar o engajamento de equipes, é preciso construir uma base de confiança sustentada por um tripé de virtudes pessoais: autenticidade, lógica e empatia (a capacidade de se pôr no lugar dos outros). E o poder do elogio faz toda a diferença!

Pesquisas sugerem que leva 66 dias para se incorporar um hábito ou para se criar uma mudança de comportamento sustentada através de reforços positivos. Dizer “bom trabalho!” a alguém todos os dias, por exemplo. “É uma coisa tão simples, mas é o que conecta as pessoas com o trabalho que elas fazem e as interconecta umas com as outras”, observa Mia Mends. Este é o poder do elogio!

No caso do Uber, 60 dias foram alocados para os programas de mudança de comportamento. “Tudo de que você precisa é uma conversa com cada pessoa”, diz Frances Frei. É fundamentalmente o mesmo processo que vem sendo utilizado para estreitar os laços com os 40 mil funcionários da Tata Consultancy Services. “A boa notícia é que a tecnologia digital torna a comunicação muito fácil e pessoal”, afirma Ritu Anand, a vice-presidente da consultoria indiana. “E essa personalização é o que os millennials [jovens da Geração Y] estão buscando.”

A parcela mais jovem da força de trabalho é considerada especialmente difícil de engajar. Para os participantes do painel, o primeiro segredo para estimular os millennials é dar a eles acesso às informações estratégicas. O segundo segredo é reconhecer que precisamos de um propósito nobre para fazer um bom trabalho. “Para uma força de trabalho qualificada, com pessoas altamente talentosas, isto é absolutamente possível”, afirma John Frehse. “O desafio está em engajar gente que não acredita que há um propósito em seu trabalho.” É aí que o verdadeiro líder faz a diferença:  conectando as pessoas com o sentido maior daquilo que fazem e somando isso ao elogio profissional diário.  

 

Alexandre Teixeira é jornalista e autor dos livros “Felicidade S.A.”, “De dentro para Fora” e “Rotinas Criativas”. Já realizou pesquisas com executivos de diversas empresas sobre Práticas de Gestão de Pessoas e Comportamento Organizacional. Em 2014, 2016 e 2017, Alexandre foi palestrante dos eventos Vida Profissional da Sodexo, que acontecem em diversas cidades do Brasil. A convite da Sodexo, ele foi a Londres assistir a 2ª edição da Quality of Life Conference. 

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