Faça uma cotação ou ligue para 4004-4946

Filtrar
Gestão de Pessoas

O transporte para ir e voltar do trabalho em análise

28/04/17 18:09

O estresse no ir e vir do trabalho pesa no engajamento e, a longo prazo, nos resultados da empresa

Quer dure minutos ou horas, o estresse relacionado ao trajeto de ir e vir do trabalho todos os dias tem peso no humor e na motivação dos funcionários e, a longo prazo, nos resultados financeiros de uma empresa. Jon M. Jachimowicz, doutorando na Columbia Business School, e Geraldine Delplanque, diretora global de Marketing da unidade de Gestão de Despesas da Sodexo, esclareceram podemos compensar os efeitos negativos dos deslocamentos diários para o local de trabalho.

A forma como as pessoas se deslocam para ir e voltar do trabalho tem evoluído bastante recentemente. Como essas mudanças afetam as pessoas que se deslocam?

Jon M. Jachimowicz: Ao longo dos últimos anos, o tempo de deslocamento vem aumentando. Devido a fatores como a expansão urbana, está se tornando cada vez mais caro para os funcionários viver perto do local de trabalho e, portanto, o deslocamento está se tornando mais frequente e generalizado. Atualmente, o tempo médio global de viagem é de 38 minutos em cada direção – um valor que equivale a cerca de 300 horas por ano ou mais de 10% do tempo total de trabalho. Além disso, diversas estimativas projetam que o tempo de deslocamento aumentará nos próximos anos. E não vamos esquecer que os funcionários regularmente classificam o deslocamento, especialmente o matutino, como a pior parte do dia de trabalho.

Geraldine Delplanque: Concordo. As tendências de urbanização causam muito impacto nos tempos de deslocamento. É uma preocupação progressiva, dado que, no contexto da guerra pelos talentos, o transporte emerge como um tema-chave. Dito isso, gostaria também de salientar uma boa notícia: soluções inovadoras de deslocamento estão em processo. Não há muito tempo tínhamos opções de transporte muito limitadas: automóveis individuais ou meios de transportes públicos. Hoje, as soluções multimodais são uma realidade. É possível iniciar o deslocamento por automóvel e terminar com uma bicicleta urbana, por exemplo, ou até mesmo usar plataformas de compartilhamento de viagens. Os estacionamento dinâmicos também estão em evolução. Pode até ser possível que a procura por esses tipos diferentes de serviços reduza as consequências negativas do deslocamento diário.

Como a redução dos efeitos negativos do deslocamento corresponde a como será o resto do dia?

J.M.J.: Pessoas que se deslocam não estão apenas se movendo entre espaços físicos; elas também ocupam psicologicamente papéis diferentes. Por exemplo, em casa, você poderá assumir o papel de pai; no trabalho, você assumirá o papel de colega de trabalho ou gerente. Quando uma pessoa usa o deslocamento não só como algo físico, mas como uma oportunidade para se preparar mentalmente, ela está pronta para iniciar o dia e assumir as exigências de seu respectivo cargo assim que chega ao local de trabalho. Nossa pesquisa mostrou que quando não nos deslocamos de maneira adequada, vivenciamos um estado de descontentamento, que poderá nos esgotar e levar à insatisfação e exaustão no trabalho.

G.D.: Sim, eu já vi isso por conta própria, com os nossos clientes – um mau deslocamento gera estresse no local de trabalho, o que poderá ter enormes consequências sobre a eficiência e o foco, menos interação com os colegas e, claro, problemas de saúde como dores de cabeça, distúrbios do sono, problemas cardiovasculares e no sistema musculoesquelético. Todos esses fatores podem, em última instância, gerar desmotivação nos funcionários.

Jon, na sua pesquisa você fala diretamente sobre a questão de combater o estresse relacionado ao deslocamento. Você poderia nos contar um pouco?

J.M.J.: Dependendo de onde vivemos, nem sempre temos muito controle sobre os meios de transporte. No entanto, temos algum controle sobre o que fazemos ou pensamos enquanto estamos em trânsito. Isso poderá incluir algo que traz gratificação imediata – sonhar acordado, ouvir música – ou coisas que fornecem mais valor em longo prazo – pensar com antecedência sobre os planos para o dia, metas e horários. A pesquisa mostra que os indivíduos que apresentam pontuação mais elevada em uma faceta de personalidade – o  autocontrole - são mais propensos a se envolver em pensamentos que refletem uma orientação de longo prazo. Em outras palavras, esses indivíduos são mais propensos a contemplar o dia de trabalho à frente. Como resultado, eles também são menos propensos a serem afetados negativamente por um longo deslocamento, porque sua forma de pensar no trabalho permite a eles uma transição mais eficiente ao início de suas funções quando chega ao escritório.

O que as empresas poderão fazer para melhorar os deslocamentos dos funcionários?

J.M.J.: É importante que as empresas entendam que o deslocamento afeta a maneira como as pessoas se sentem e se comportam no trabalho. Por esse motivo, os gestores não devem se preocupar apenas com os funcionários a partir do momento em que chegam ao escritório. Precisam ter uma visão mais holística. A maneira com que os funcionários se deslocam e a duração do trajeto influencia sua percepção com relação ao trabalho e como eles se comportarão e se apresentarão no ambiente laboral. Está vinculada à probabilidade de ficar – ou sair – da empresa.

G.D.: As empresas também poderão desempenhar um papel-chave na promoção de novas práticas e abrir as portas para novas formas de se trabalhar. Quanto a deslocar-se, significa permitir personalização e flexibilidade. O deslocamento se tornou multimodal e versátil, o que significa que o papel de uma empresa não será apenas ajudar os funcionários a começar a trabalhar na parte da manhã, mas também dar a eles acesso às melhores opções de transporte a qualquer hora do dia.

Empresas pioneiras também buscam atualmente alternativas exclusivas para o local de trabalho tradicional. Hoje, a presença física de alguns funcionários já não é necessária. Quanto a isso, no geral, trabalhar em casa ou próximo a um estabelecimento de trabalho compartilhado, é uma ótima maneira de evitar o deslocamento. Além disso, um horário de chegada flexível provou ser muito eficiente e melhora explicitamente o equilíbrio entre trabalho e vida, permitindo que os funcionários organizem o dia de uma forma mais eficiente para eles.

Geraldine, você poderia nos contar um pouco mais sobre as soluções multimodais da Sodexo?

G.D.: Temos uma solução que foi especificamente projetada para remover, entre outras coisas, os pontos de desconforto das pessoas durante o transporte: o XXImo Mobility Card. O serviço permite que tanto pessoas nos seus trajetos diários como executivos em viagens de negócios usem o transporte e paguem sem problemas usando um único cartão – seja por automóvel, táxi, trem, bonde, ônibus, automóvel de compartilhamento, bicicletas públicas compartilhadas e avião. A plataforma e a rede comercial XXImo possibilitam a digitalização de todo o processo de despesas, desde a transação, autorização e alocação de custos até o processamento direto nas contas.

Ela ainda dará um passo adiante ao facilitar a mobilidade para os funcionários com o novo aplicativo MILO, que ajuda as pessoas a chegar onde elas precisam ir a tempo e com o melhor itinerário. Por exemplo, a troca do automóvel e pelo transporte público fará o percurso ser recalculado automaticamente. Você também poderá pagar o transporte público, o táxi e o estacionamento com o Milo. O conceito por trás desse aplicativo é desenvolver um assistente digital que propõe alternativas multimodais e sincronização perfeitas.

Por fim, Jon, na sua experiência, existem ferramentas que as empresas não estão fazendo uso adequado para melhorar a experiência de funcionário?

J.M.J.: Muitas grandes empresas estão sentadas em um tesouro de dados. Elas sabem quanto tempo os funcionários levam para se deslocar, seu grau de satisfação no trabalho, quem planeja se desligar – mas elas não analisam suficientemente todos esses dados. Esses dados permitem construir modelos preditivos de probabilidade de desligamentos da empresa, as razões pelas quais alguns funcionários apresentam melhor desempenho do que outros, e o que eles podem fazer para mudá-los. Muitas vezes, as empresas não têm experiência teórica, faltam profissionais com capacidade para analisar os dados ou simplesmente não pensam de forma holística. Como pesquisador, meu objetivo é trabalhar junto às empresas para responder a essas perguntas e ajudá-las a entender melhor seus funcionários, porque essa troca de ideias permite que eu avance em minhas pesquisas.

Veja também

Gestão de Pessoas

Qual o custo de não reconhecer seus funcionários?

20/09/17 11:48

Você sabia que investir em reconhecimento para os profissionais de sua empresa pode representar economia para a empresa? Veja o infográfico.

Gestão de Pessoas

Comemorar as pequenas conquistas no trabalho é fundamental

06/09/17 12:30

Confira no artigo três métodos comprovadamente eficazes para reconhecer seus colaboradores