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Espaço do Empreendedor: Elói D’Avila - Flytour

28/07/17 11:37

Inspire-se com a entrevista do fundador do grupo Flytour e conheça seu caminho para crescer nos negócios

O Gaúcho Elói D’Avila de Oliveira superou todos os obstáculos que a vida lhe impôs e triunfou como um dos maiores executivos do Brasil. Trabalhou em diversos ramos até que em 1974 decidiu que não seria mais empregado e fundou a EDO Representações, o início do que viria a ser o grupo Flytour, empreendimento que é hoje uma das maiores agências de viagens do mundo. Confira abaixo uma entrevista exclusiva onde D’Avila conta sua fantástica história.

Conte sua trajetória de vida.

Sou de Esteio, no Rio Grande do Sul. Sou o 14º filho de uma família de 15 filhos. A minha mãe morreu quando eu tinha apenas 1 ano e meio. Naquele momento, meu pai começou a dar os filhos. Fiquei com o meu pai até os três anos, daí ele me deixou na casa de uma irmã que havia se casado aos 14 anos. Ela cuidou de mim, cortou meu cabelo, me deu banho e começou a me criar. O problema maior era que seu marido bebia muito. Ela também foi muito empreendedora, aos poucos foi trazendo todos os irmãos para dentro de casa, quando ela já tinha 04 irmãos, parou de trabalhar e começou a fazer pasteis para nós vendermos. Aos oito anos, comecei a vender pastéis no período da tarde. Eu, muito sapeca e mentiroso apanhava muito, foi quando comecei a fugir de casa, fugi três vezes, fui preso pelo Juizado de Menores e fui parar em um Educandário Técnico e Rural onde aprendi muita coisa.

Quando fugia morava aonde?

Literalmente na rua. Sou empreendedor desde essa época, pois o empreender não é só você gastar dinheiro, empreender é sobreviver. O empreendedor tem que empreender e vender aquilo que ele empreende. Eu comecei a empreender desde quando comecei a vender pasteis.

Como veio parar em São Paulo?

Já tinha atração por ser alguma coisa. São Paulo era São Paulo. Aqui fiquei um bom tempo na Praça da Sé, na Estação Rodoviária, onde sobrevivi vendendo jornais, lavando carro, pedindo coisa e quando tinha dinheiro ia para um albergue.  Fui preso pelo juizado de menores aqui em São Paulo. Me deram uma passagem de ônibus, me colocaram no ônibus e me mandaram para Porto Alegre. Quando cheguei lá entrei numa concessionária chamada Panam, falei que era de São Paulo e que tinha ido a Porto Alegre procurar uma tia. Como não tinha encontrado ela, estava sem dinheiro para voltar para casa. Eles fizeram uma vaquinha, me deram o dinheiro e acabei voltando para São Paulo. Fui para a Praça da Sé e fiquei por lá alguns meses, até que um dia eu estava muito nervoso e um senhor fardado parou do meu lado e me perguntou o que estava acontecendo. Eu disse que não teria onde dormir naquela noite e ele me levou para a casa dele. Era uma família Adventista, isso me ajudou muito. Fiquei com eles dois anos.

Quando decidiu ir para o Rio de Janeiro?

Depois de um período consegui tirar todos os meus documentos pedi permissão para a família que eu estava vivendo, sai do emprego e fui para o Rio de Janeiro. Cheguei às seis horas da manhã e desci na praia. Nunca tinha visto praia na minha vida. Dormi na areia até às cinco da tarde e passei 14 dias num pronto-socorro por causa de queimaduras no corpo todo. Voltei para a pousada onde estava hospedado com os meus amigos. Não tínhamos dinheiro para pagar a conta e fugimos à noite pelo telhado e fomos para Copacabana. Comecei a lavar e guardar carro em frente ao Copacabana Palace. E fui fazendo amizade com os porteiros. Eu sempre digo que empreender é ter a visão e a ação, a visão todo mundo tem o que não tem é a ação, a execução, se você não executar é porque tem medo, não quer mudar. Fiquei por seis meses trabalhando lá, morava na rua e quando tinha dinheiro ia dormir em albergue. Daí eu conheci um guia turístico que me apresentou para a Vovó Estela e eu fui ser seu office-boy. Aprendi muito com ela. Saí do Rio de Janeiro com 17 anos muito mais inteligente do que havia chegado graças a Vovó Estela, que foi quem me ensinou muito é uma mulher de muita força. Vim para São Paulo ajudar a minha irmã, que estava passando por muitas dificuldades. Em São Paulo, moramos em muitos lugares até que fomos morar na São João, fui trabalhar no Bradesco Turismo onde conheci a minha esposa, casei jovem e tive quatro filhos.

Quando o senhor montou a Flytour?

Meu último emprego foi em uma companhia aérea onde fui mandado embora 04 vezes. Na última vez decidi que não voltaria mais e comecei a trabalhar para alguns hoteleiros da America Latina e um desses hoteleiros me encontrou na rua e perguntou o que eu estava fazendo, contei que estava pegando algumas representações foi quando ele falou que a dele seria a primeira. Aí em 1974 abri a Edo Representações. Naquele momento a idéia era começar do zero, fui vender uma empresa de hotéis que se chamava Panamericana de Hotéis, no mês seguinte já peguei uma representação das linhas áreas da companhia que trabalhava e ai eu comecei a trazer um sobrinho, uma cunhada que inclusive está comigo até hoje. O importante é não perder as pessoas, o que mantém a estrutura de uma empresa são as pessoas. Em 1979 o presidente da Embratur, determinou que a partir daquele momento nenhuma empresa de representação no ramo do turismo poderia deixar de ter a Embratur. Foi quando surgiu a Flytour. Hoje, chego a lotar o equivalente a 50.000 aeronaves Airbus A320 no ano. Eu quero sempre prestar um ótimo serviço para o meu cliente.

Para finalizar, o senhor gostaria de deixar um recado?

Hoje estamos com 2.600 funcionários, mais de 200 unidades, quase 100 franquiados, vendemos cerca de 500 mil bilhetes aéreos por mês e buscamos sempre melhorar e acompanhar as mudanças do mercado, isso é muito importante, só aquele que faz sabe, aquele que não faz vai sempre criticar, justamente por não ter feito. Faça sempre, se errar comece novamente!