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Gestão de Pessoas

Programas de reconhecimento podem e devem incentivar a inovação

24/10/17 17:53

Como as empresas podem criar o ambiente criativo necessário para se tornarem competitivas e crescerem?

O papel da inovação no local de trabalho nunca foi tão importante. Na medida em que o avanço tecnológico muda a forma como vivemos e trabalhamos, empresas que proporcionam uma cultura de criatividade avançam, enquanto as outras, que falham em desenvolver o potencial de seus colaboradores, lutarão para sobreviver. Incentivar a inovação pode parecer fácil, mas a chave para o crescimento está em proporcionar um ambiente dinâmico em que os colaboradores tenham espaço para criar e onde ideias valiosas são conduzidas. Como as empresas podem chegar a isso?

A importância da flexibilidade

O primeiro ponto a se observar é que a inflexibilidade não é mais uma opção. Os gigantes do Vale do Silício entenderam que o desenvolvimento de ideias inteligentes requer espaço. A iniciativa “20% time” da Google, tão reconhecida, que incentiva que os engenheiros passem 20% de seu tempo desenvolvendo suas próprias ideias, levou à criação de produtos incrivelmente bem-sucedidos, como o AdSense e o Gmail. O programa Incubator, do LinkedIn, trabalha com um princípio parecido, oferecendo aos desenvolvedores a oportunidade de apresentar grandes ideias aos executivos, enquanto a Apple conduz o Blue Sky, que permite a um time colaboradores passar duas semanas por ano trabalhando em projetos pessoais.

Necessidade de engajamento

Talvez não surpreendentemente, é pouco provável que os colaboradores inovem se não se sentirem engajados com sua empresa. Um estudo realizado por Krueger e Killham (2007), publicado pelo Diário de Administração da Gallup apontou que 59% dos colaboradores engajados afirmaram que seu trabalho “desperta suas ideias mais criativas”, enquanto apenas 3% dos colaboradores que se consideravam desengajados afirmaram o mesmo.

Recompensas e reconhecimento criativos

Quando o assunto é reconhecimento, recompensas financeiras são apenas uma parte da história, e muitas empresas conduziram com sucesso outras estratégias de motivação eficientes. Por exemplo, a 3M se baseia, em primeiro lugar, no reconhecimento dos colegas para incentivar a inovação através do seu prêmio “Technical Circle of Excellence Award”, que oferece uma viagem ao retiro da empresa em Minnesota para inovadores que se destacaram, selecionados pelos seus colegas de trabalho. O Banco Mundial também criou, com sucesso, uma cultura em que a inovação é valorizada, oferecendo incentivos extrínsecos para os colaboradores e outras empresas pelas soluções criativas para tratar da pobreza. Além disso, ele também realiza as feiras de conhecimento (“knowledge fairs”), para incentivar a curiosidade e a colaboração.

 

Para organizações que conduzem as melhores práticas, como a NASA e a Millennium Pharmaceuticals, o tempo é essencial: um projeto, seja a exploração do espaço ou levar um remédio às prateleiras das farmácias, pode durar décadas, então, para essas organizações, é importante reconhecer seus especialistas no momento da realização.

Para a L’Oréal dos Estados Unidos, a diversidade e a inclusão na força de trabalho são vistas como fatores necessários para incentivar a criatividade, exemplificada em sua fórmula de gestão de diversidade: Diversidade + Inclusão = Inovação + Sucesso. Tal ideologia permeia muitas áreas da empresa, desde o recrutamento e vendas até o alcance na comunidade.

Atualmente, não existe uma forma simples de reconhecer e recompensar a inovação. No entanto, os empregadores devem ser criativos, utilizando diversos incentivos, enquanto a oferta do RH de sua empresa também deve produzir um ambiente que facilite a inovação através da criação de espaço, do incentivo de engajamento com a empresa e o estímulo da diversidade. Este não é um processo apenas simbólico. Na verdade, segundo a Dra. Gita Bajaj, professora de RH e Comunicação no Instituto de Tecnologia da Gestão, em Dubai, a criatividade contínua dos colaboradores só pode ser obtida se houver uma cultura de cima para baixo que a incentive.

3 perguntas básicas

A Dra. Bajaj foi coautora de um livro sobre inovações na gestão de pessoas. A seguir ela compartilha suas opiniões como especialista.

As empresas estão sofrendo com a falta de inovação?

Jamais tivemos um momento melhor para inovar: temos tecnologias que mudaram radicalmente tudo em nossas vidas, temos acesso a informações que nunca estiveram disponíveis. No entanto, ao passo que empresas como a Google e a Amazon estão à frente, há muitas empresas que falham em inovar. Muitas acham que isso não acontecerá com elas – estão comprometidas com ganhos no curto prazo, maximizando o valor de seus acionistas através de ações, o que leva a uma situação em que elas não consideram o longo prazo. Há diversos exemplos de empresas que sofreram grandes perdas por não se adaptarem a novas realidades, como a Nokia, a Xerox ou a Kodak. Se não se adaptarem, não há dúvidas de que não haverá inovação ou criatividade.

Quais são os maiores desafios que atualmente impedem o potencial de inovação de se desenvolver?

Na superfície, há muita inovação e criatividade acontecendo, mas acontecem apenas para iludir. É necessário um pensamento mais amplo sobre criatividade e inovação. Há cada vez mais paredes sendo erguidas – vejamos o Brexit e o que está acontecendo nos Estados Unidos: por um lado, dizemos que não se pode sobreviver sem inovação e criatividade; por outro, falamos sobre mais limites, uma visão mais fechada. Existe uma mudança gigante dizendo que não se pode viver sem elas, e outra mudança gigante dizendo que não se pode fazer isso.

Além disso, em um nível mais baixo, estamos vendo sintomas que indicam falta de criatividade e inovação: demissões, estresse, pressão. Não podemos ter pessoas estressadas e pedir para que realizem trabalhos criativos e inovadores.

Qual é o ambiente de trabalho ideal para proporcionar inovação?

Um pouco de estresse é sempre bom, mas pressão excessiva compromete a produtividade. As empresas inovadoras sabem que uma empresa pode ter o melhor dos demais recursos, mas a menos que os recursos humanos sejam capazes de idealizar e criar, não há nada que se possa fazer de novo ou diferente.

Como estratégias de incentivos e reconhecimento ajudam a desenvolver inovação?

Reconhecer e incentivar a inovação não é algo que pode ser feito de forma fragmentada. O nível de administração mais alto deve acreditar nisso – e certificar-se de que a cultura, as recompensas e o reconhecimento da empresa incentivem a inovação.

Em termos de cultura, a administração deve reconhecer as necessidades e os motivadores de colaboradores criativos. Pesquisadores e criativos podem precisar de um trabalho mais flexível, ambientes mais tranquilos para refletir (como, por exemplo, os Google Cafes), plataformas de discussão mais robustas (como o moderador do Google), maiores prazos para resultados e objetivos crescentes. As políticas da empresa devem oferecer o financiamento para pesquisas e caminhos de carreiras para pesquisadores também podem colaborar para a inovação.

Quanto a recompensas, uma pergunta essencial é se as empresas têm políticas para incentivar resultados de pesquisas assim como fazem com os executivos de vendas e marketing para que atinjam suas metas. Nesses casos, os incentivos podem ser comparados aos ganhos obtidos com tais inovações? A resposta é “não”. Muitas empresas estimulam a inovação oferecendo $500 por uma ideia criativa! Outras relacionam isso a salário-base do colaborador! Os programas de reconhecimento devem ser repensados e as recompensas devem estar ligadas ao valor gerado pela ideia.

Finalmente, o reconhecimento custa muito pouco às empresas, mas os resultados são tremendos – principalmente quando associados com recompensas. Algumas empresas dividem os lucros com os inventores; outras, oferecem bônus atraentes. O ponto principal para se entender é que empregadores criativos que incentivam a inovação são um nicho diferente. As empresas devem se desdobrar para entender o que motiva essas pessoas e, a partir disso, planejar benefícios e esquemas de recompensas para incentivá-las.

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