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Qualidade de Vida

PERSPECTIVAS DA OCDE: 200 ANOS DE BEM-ESTAR. ONDE ESTAMOS AGORA?

17/03/17 14:15

Como a experiência de bem-estar tem evoluído em diferentes sociedades ao redor do mundo

A OCDE, em colaboração com a CLIO-INFRA, vem analisando e acompanhando o bem-estar em diferentes sociedades ao redor do mundo. Conal Smith, líder da área de Bem-estar e Ambiente Familiar da OCDE e coordenador do relatório How Was Life? - Global Well-being since 1820, dá uma ideia de quão longe temos ido ao longo dos últimos dois séculos.

É interessante saber que, no geral, os países se tornaram mais iguais entre si em termos de bem-estar. Você considera que essa consciência está difundida entre as pessoas? Ou os resultados deste estudo lançam luz sobre uma nova maneira de pensar?

O principal achado do estudo é que houve um grande aumento na desigualdade no bem-estar entre os países entre 1820 e meados do século XX, e essa desigualdade diminuiu um pouco desde então em algumas dimensões do bem-estar. Antes da década de 1950, a desigualdade social nas dimensões não-econômicas do bem-estar (por exemplo, educação, saúde, democracia, vitimização) era maior do que no caso dos rendimentos financeira, mas essa relação se reverteu depois, com o desenvolvimento de melhorias em áreas como a saúde (e avanços da tecnologia na saúde), o que contribuiu para diminuir a desigualdade nos quesitos relacionados ao bem-estar.

Um objetivo importante do estudo é trazer dados históricos cada vez mais consistentes para um público mais amplo. Uma peça chave para isso foi o desenvolvimento de uma ferramenta interativa de visualização de dados, que permitir que as pessoas interajam com os próprios dados e analisem o desenvolvimento do bem-estar em seu próprio país nos últimos 200 anos. A ferramenta de visualização de dados está disponível em inglês, francês e espanhol, ajudando a garantir que alcançamos um público maior.

Na sua opinião, quais são indicadores mais relevantes? Algo mais ligado à qualidade de vida?

O bem-estar é multidimensional e, portanto, nenhum indicador sozinho consegue fornecer uma visão geral. Os indicadores utilizados para medir o bem-estar desde 1820 foram selecionados para cobrir o maior número possível de dimensões da qualidade de vida. Obviamente, para algumas das dimensões de bem-estar que gostaríamos de medir - como o bem-estar subjetivo - não temos dados remontando no tempo, mas os outros indicadores de bem-estar se complementam para fornecer uma imagem arredondada de progresso do que importa às pessoas.

 

O relatório utilizou o progresso do PIB per capita como tema comum a todos os capítulos. Cada capítulo mostra como os resultados nesse aspecto particular do bem-estar estão correlacionados com movimentos no PIB ao longo do tempo. No entanto, isto não é porque o PIB é a melhor forma de medir o bem-estar, mas porque é interessante examinar a relação entre qualidade de vida e desenvolvimento econômico.

Quais desses indicadores têm tido maior variação nos últimos anos?

O relatório tem como foco mudança no bem-estar a longo prazo (desde 1820) e não no passado imediato A ideia é mostrar grandes mudanças durante longos períodos de tempo, com um foco particular em como a relação entre rendimentos no país mais rico do mundo, a comparação com os mais, aumentou de 5 para 1 em 1820 para 30 para 1 em 1950 e refletir se esse grande aumento da desigualdade global foi acompanhado por uma maior desigualdade nas outras dimensões do bem-estar.

O estudo menciona que "os sucessos inesperados" emergiram da pesquisa. Em sua opinião, há uma história ou tendência particularmente interessante sobre um país ou região específico?

Para mim, a descoberta mais marcante é como a desigualdade na percepção do bem-estar diminuiu a partir de 1950. A razão não está clara e há várias hipóteses. Uma possibilidade é que, embora o crescimento econômico em muitas ex-colônias tenha sido mais lento, o uso do PIB como foco do estudo acabou subestimando o progresso feito pelos governos pós-coloniais no bem-estar. Outra possibilidade é que esse resultado seja impulsionado por melhorias na tecnologia para saúde e educação, que foi mais forte nos países com PIB per capita mais baixo do que em níveis mais altos.

O estudo faz pensar que estamos inciando em uma nova fase no desenvolvimento da economia mundial que favorece os países mais pobres. Isso parece muito esperançoso, você não acha?

“How was life?” não faz qualquer afirmação sobre a evolução futura da economia mundial ou do bem-estar da população. Como discutido anteriormente, desde a década de 1950 houve uma diminuição da desigualdade de bem-estar entre os países, refletindo uma "recuperação" de muitos países em desenvolvimento em várias áreas de resultado relevantes para o bem-estar (incluindo renda, saúde, educação, Segurança pessoal). Este tem sido um desenvolvimento muito positivo, pois reflete uma melhoria significativa no bem-estar de centenas de milhões de pessoas em todo o mundo nos últimos 50 anos.

As conclusões deste estudo levantaram alguma bandeira vermelha?

Embora os níveis globais de desigualdade de renda pareçam estar estáveis, a desigualdade de renda dentro dos países aumentou desde a década de 1980, invertendo as quedas anteriores na desigualdade de renda observada de 1929 até o final da década de 1970. Este é o resultado de duas tendências, uma positiva e outra negativa. Do lado positivo, o rápido crescimento econômico, particularmente na Ásia, elevou os rendimentos de um grande número de pessoas, contribuindo assim para a queda da desigualdade global. No entanto, no lado negativo, isso foi compensado, particularmente nos países desenvolvidos, por um aumento da desigualdade de renda. A desigualdade de renda dentro do país está agora de volta aos níveis vistos pela última vez na década de 1870.

Leia o relatório completo de “Como foi a vida? Bem-estar Global desde 1820”, aqui.

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