Sua empresa pode contribuir com a igualdade de gênero no Brasil. Conheça iniciativas para começar já.

O papel do RH na igualdade de gênero no Brasil

8 Março 2024

Ainda há muito a se fazer nesse sentido, sobretudo dentro das empresas. Entenda o cenário e como o RH pode contribuir de maneira genuína

"Somente o trabalho pode garantir uma independência concreta para as mulheres", disse a escritora e ativista francesa Simone de Beauvoir. A profissão é, sem dúvidas, algo que transporta, dá força e empodera. Só que, infelizmente, toda essa potência esbarra ainda em um problema estrutural: o machismo e o preconceito que nos acompanha pela história. 

Sim, o mercado é, muitas vezes, injusto com as mulheres. Mas está aí uma realidade que precisa ser mudada. Como? Com muito trabalho e projetos consistentes para promover a diversidade em todas as suas formas.

Resolvemos vir aqui falar mais sobre esse tema tão importante para propor reflexão e, principalmente, MUDANÇA. Vamos conversar? Fique por aqui e verá:

  • Igualdade de gênero: o que precisamos para chegar lá?
  • Como o RH pode contribuir para a evolução?
  • Mulheres no mercado de trabalho: a comunicação pode mudar rumos
  • Faça da sua empresa um local seguro
  • Empodere as mulheres

Igualdade de gênero: o que precisamos para chegar lá?

Sabe quanto tempo falta para haver plena igualdade de gêneros no Brasil? A resposta é devastadora: 131 anos. Isso mesmo. De acordo com o Fórum Econômico Mundial de 2023, se tudo continuar como está atualmente, vamos levar mais de um século para ter um cenário de equidade.

Para se ter uma ideia, no ranking de nações que mais trabalham iniciativas desse tipo, o nosso aparece só no 57º lugar. Ou seja, ainda temos uma longa jornada pela frente. Mas o que podemos fazer, então? Quais caminhos percorrer? De quais maneiras dá para acelerar esse processo? Buscar essas respostas é urgente e necessário. 

Fabiana Galetol, nossa diretora-executiva de Pessoas e de Responsabilidade Social Corporativa, destaca: ser uma empresa diversa é a base de uma mudança consistente. "É algo vital. Precisamos de novas perspectivas. Elas trazem criatividade, inovação e repertório", ressalta. Segundo a executiva, as companhias devem refletir a diversidade que existe na vida, no mercado e em todo o ecossistema.

Segundo ela, um ponto de partida para este movimento é trabalhar ações afirmativas. Ou seja, medidas voltadas a pessoas que pertencem a grupos discriminados, vítimas de exclusão socioeconômica. "Precisamos atrair os talentos que estão no mercado e depois estimular a retenção com programas de desenvolvimento", explica. 

O quadro de colaboradores da Pluxee, por exemplo, é hoje totalmente equilibrado. Além disso, 42% da liderança é feminina. Essas conquistas são resultados de uma atuação mais ampla. 

E veja só: se a diversidade for uma das bases da empresa, o RH consegue evoluir nessa pauta - e com um novo recorte. Ou seja, tem mais respaldo e expertise para pensar em ações focadas nas mulheres. "Em programas de desenvolvimento feminino, por exemplo, incluímos questões como autoconhecimento, lugar de fala e segurança psicológica. Nesses casos, não é suficiente trabalhar só as habilidades técnicas de uma posição", diz Fabiana. 

Como o RH pode contribuir para a evolução?

O setor é fundamental, funciona como uma alavanca para a mudança. Mas é preciso atuar em várias frentes para ter resultados. A mais urgente é promover uma discussão sobre a importância da mulher para o negócio. "Isso precisa ser falado de maneira ampla e aberta na empresa. É fundamental haver escuta ativa para entender quais são as necessidades atuais, planos direcionados para ações afirmativas e programas de desenvolvimento reais", explica.

O importante, segundo ela, é ter um planejamento de como cada profissional pode ir de um ponto para outro, com base em métricas. "Não se trata de privilegiar um público, mas sim trabalhar para ter igualdade e equidade de condições", comenta. Para isso, muitas vezes é necessário criar programas diferenciados. 

Aqui na Pluxee, por exemplo, há o Acelera Mulheres. Funciona assim: selecionamos um grupo com base em uma avaliação de talentos. São aquelas profissionais com uma performance consistente, com potencial de crescimento e que estão prontas para um novo cargo.

A iniciativa tem uma duração total de oito meses e é um mergulho profundo no autoconhecimento. "Sem ele não há evolução", reforça Fabiana. Gaps técnicos são identificados e trabalhados, assim como os comportamentais. Tudo com o apoio de mentores e, quando necessário, cursos técnicos. "A partir desse plano, definimos o que é necessário para que cada uma possa dar o próximo passo", comenta. 

O projeto entrou no seu terceiro ano e, até agora, mudou a jornada de todas as participantes, seja com promoções, evolução na carreira ou conquistas, entre outros feitos.

Mulheres no mercado de trabalho: a comunicação pode mudar rumos

Além de ações específicas, o RH precisa trabalhar o tema o ano todo - e com todos os profissionais. "Fazemos, por exemplo, muitas comunicações voltadas para esse tema, além de atividades de reconhecimento e de empoderamento", comenta Fabiana. O importante, segundo ela, é trabalhar várias frentes, de modo individual e coletivo, sempre com a escuta ativa. Ouvir o que as pessoas estão achando da experiência, seus medos, anseios, desejos e reclamações, faz toda a diferença. Você consegue corrigir a rota sempre que preciso.

Faça, portanto, pesquisas frequentes para medir a evolução dos seus programas. Analise também todas as métricas que considerar importante, se debruce sobre os dados, use tudo a favor da diversidade e da igualdade de gêneros!

E mais: chame todo mundo para o debate. "É muito interessante quando você envolve outros públicos, a leitura às vezes não é aquela que a gente imagina. Sempre surgem novos temas e pontos de vista", destaca Fabiana.

Faça da sua empresa um local seguro

Um estudo da startup Lupa mostrou que grupos minorizados, como mulheres e pessoas negras, são os que têm menos segurança psicológica no trabalho. Entre os entrevistados, 80% afirmaram que já foram vítimas ou então presenciaram situações de discriminação, assédio ou preconceito dentro de uma companhia.

Garantir esse ambiente acolhedor, permeado por respeito, é um grande desafio. Exige a criação de iniciativas/ações específicas. "Tudo começa com a cultura. Esse tipo de comportamento é inadmissível e deve ser repreendido", diz Fabiana. Segundo ela, cabe à empresa fazer um trabalho forte de educação, de conscientização e, sobretudo, ter esse cuidado como um de seus valores.

E aqui estão duas dicas de ouro:

  • Crie canais de denúncia: garanta que as pessoas possam recorrer a eles sem a necessidade de identificação;
  • Conscientize a liderança: o clima organizacional é movido pela gestão. Líderes precisam ouvir e acolher.

"A liderança tem um papel fundamental para a segurança psicológica de mulheres. Treinamento e capacitação são essenciais para a criação de um ambiente saudável"
Fabiana Galetol

Empodere as mulheres

Sabe o que vai contribuir e muito para a sua estratégia de equidade? Empoderar as mulheres. "Precisamos mostrar que todas nós temos voz. E ela não é só de participação, mas sim de posicionamento, de colocação. Empodere as profissionais. Devemos ser as protagonistas", ressalta. 

A construção desse pensamento não é tão simples assim. Depende de uma soma de esforços e de ações, como clima organizacional e comportamento da liderança. Mas não só. "Esse empoderamento pode vir da gente mesmo. Posicione-se, esteja atenta e acredite em você", diz.

Neste Dia Internacional da Mulher - e em todos do ano - empodere as suas equipes. Dê espaço. Escute. Invista no desenvolvimento das profissionais. Tudo isso conta para mudar a realidade!

E aí, vamos juntas?