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Sustentabilidade

A era da empresa ativista

11/12/17 14:49

Companhias que fazem a diferença partem de seu propósito para virar agentes de transformação. Leia o artigo de Alexandre Teixeira sobre o assunto.

Por Alexandre Teixeira

 

Criar empregos, gerar riqueza, pagar impostos. O retorno básico à sociedade proporcionado pelas empresas segue sendo fundamental, mas isso já não distingue as companhias que fazem a diferença. Trabalhar em prol do bem comum não é mais o suficiente, é necessário praticar o ativismo social, ser um agente transformador da sociedade.

Para gerar valor (de verdade) para seus consumidores, para as comunidades onde atuam e para a sociedade de maneira geral e ser uma agente de transformação, as organizações precisam agir dentro do que entendem ser o seu propósito. É neste cenário que vem ganhando relevância um movimento mundial de identificação, certificação e fomento de um tipo particular de companhia: a Empresa B. São organizações que usam o poder do seu negócio para enfrentar problemas sociais e têm uma visão ampliada do que é ser sustentável.    

Na segunda edição da Quality of Life Conference, promovida pela Sodexo em Londres em outubro, o empresário argentino Pedro Tarak citou como exemplo de Empresa B uma companhia chamada Guayakí. Ela é uma fabricante de bebidas que inclui no seu core business a regeneração do ecossistema em que atua (a Mata Altântica) e a reconstituição das comunidades que dependem da floresta de onde é extraído seu principal insumo, a erva mate. Ele citou também uma empresa chamada Crepes & Waffles, uma cadeia multinacional de restaurantes de origem colombiana – criada para incluir mães solteiras no mercado. “Empresas B são contagiosas”, afirma Tarak. Já há mais de 2.300 delas em 53 países, sendo 102 no Brasil. Esses são exemplos de como atuar com ativismo social e ser agente transformador de verdade.

A motivação das pessoas para fazer parte de companhias idealistas assim tende a ser menos focada no dinheiro do que naquilo que as faz se associar a um time de futebol, a um partido político ou a uma ONG: emoções, anseios, transcendência. “É isso que as pessoas trazem para o mercado”, afirma Tarak. “Como queremos ser lembrados daqui a 200 anos? O que deixaremos além de empregos, além de bons produtos e serviços, além de impostos pagos?”

É esta, também, a lógica de Jane Griffths, CEO da Actelion, uma empresa de biotecnologia pertencente à Johnson & Johnson. Ainda no início da carreira dela, sua mãe foi diagnosticada com câncer de mama. Trabalhando numa companhia farmacêutica, Jane pensou: “deveríamos ser capazes de ajudar”. Sua mãe sobreviveu cerca de cinco anos. Quando ela morreu, Jane se sentiu frustrada. O setor farmacêutico não havia se mostrado à altura do desafio. Naquele tempo, apenas uma em três mulheres sobrevivia ao câncer de mama. Foi então que Jane compreendeu o propósito do setor onde trabalha – aumentar essa taxa e salvar vidas – e se deu conta de que esse propósito deveria estar introjetado na força de trabalho.

 

Alexandre Teixeira é jornalista e autor dos livros “Felicidade S.A.”, “De dentro para Fora” e “Rotinas Criativas”. Já realizou pesquisas com executivos de diversas empresas sobre Práticas de Gestão de Pessoas e Comportamento Organizacional. Em 2014, 2016 e 2017, Alexandre foi palestrante dos eventos Vida Profissional da Sodexo, que acontecem em diversas cidades do Brasil. A convite da Sodexo, ele foi a Londres assistir a 2ª edição da Quality of Life Conference.